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quinta-feira, 11 de março de 2010

Sem gelo, por favor

É, eu gosto de tomar uma cerveja, um vinho, uma caipirinha – é, um uisquinho de vez em quando. Vocês entenderam - eu gosto de uma birita! Não bebo por moda, nem para aparecer, bebo porque gosto. Bebo socialmente, politicamente, intelectualmente e, dependendo da quantidade, até espiritualmente. Hoje em dia, nem tanto. Já bebi a minha cota. Agora, só de vez em quando, mas ainda sou apaixonado por vinhos. Na verdade, isso tudo é desculpa para apresentar um poema novo que escrevi, que sequer fala de bebida, contudo, tem este título:

Sem gelo, por favor

Minha palavra é palha
Eu sou agulha
Me perco, me embolo na fala
Mistura
De farinha pouca e de feijão ralo
Minha palavra miúda é calo
Na língua
É íngua
Que me acaba
Me mata
Migalha farta
Em mesa vazia...

terça-feira, 9 de março de 2010

Abre-alas

Olá, pessoal! Sejam bem-vindos a este blog! Aqui quem vos escreve é Rafael Sampaio, poeta, músico, pintor, quer dizer, pelo menos eu tento. Neste site, espero escrever sobre tudo e sobre nada. Que me perdoem os leitores amantes da objetividade e do pragmatismo, eu passo longe disso. Carioca, mas descendente de baianos, eu quero mais é escrever na rede, porque a situação está difícil para quem escreve poesia. Mas ainda há gente que gosta de poesia neste mundo. Para provar estão aí todos os meus - dois - leitores. Para vocês, eu deixo um poema novinho em folha:

Samba de dar dó (Samba di dá dó)

Ando meio para baixo
Sem palavras
Sem nada

Eu que caminhei sobre as nuvens
Hoje me escondo sob o capacho

Sou Ícaro com a pele tostada
Sou o pássaro louco dos trópicos
De outros ares
Outros sonhos e vôos

Jogo as palavras fora
Meu tempo é perdido
é outro
é ouro
de um tolo

Sou dois sem par
Um deus sem altar
Templo do ócio

Sou eu sem lugar
Sem guia
Sou sem estar
ópio

O meu amor não se compra
Minha mente não se vende
Não me encontro em qualquer esquina
Cobra não se cria:
se mata

minha cor é meu luxo
a minha mentira é doce
como as tardes ao sul do equador

minha língua é minha pátria
é mátria
é solta como as mulatas
e me inventa e me arrasta
jogando os quadris
farta

meu sangue ferve
me afoga
e meu corpo todo samba
arfa
numa nota dó
e eu me equilibro bamba
numa perna só

que tom me pinta seco e áspero?
sim é dó
é dose
de cachaça branca, pura
como as virgens pálidas
do lado de lá

A lei aqui é outra
O tambor come solto
No terreiro
Aqui batuque se come
Com farinha

Ando meio para baixo
Do equador
E não escondo

Sim, meu vôo é baixo
Minha palavra é pouca e curta
Mas meu samba
É um quadro com todas as cores do mundo...


Rafael Sampaio
10/03/2010