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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Homenagem a Rachmaninoff


Prelúdio em C#m

Queria escrever como se faz música,
como um Rachmaninoff inspirado
Sentir as palavras, as letras, mesmo sem sentido
como pura emoção fluindo
destes dedos cansados
sobre o teclado

Queria fazer vibrar em seus ouvidos
a canção mais triste e enraivecida
que pudesse tirar de dentro de mim

E soar
simplesmente
Como o Prelúdio em Dó Sustenido Menor

do poeta Rachmaninoff...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Post para nunca ser lido

Poema para nunca ser lido

No que me transformaram?
Sou só um velho clichê aposentado
no fundo de uma gaveta
Um projeto abandonado de mim mesmo
O primeiro verso inacabado
de uma epopéia moderna

Sou os olhos e os ouvidos
das ruínas de um monumento grego
olvidado

um canivete suíço enferrujado
a possível evolução
de uma espécie há muito em extinção
sou só um velho poeta
interditado
resmungado pelas ruas brancas e nuas
de uma cidade imaginária
que previsível e pateticamente
resolvi chamar:
Parnaso...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Poema para nunca ser lido

No que me transformaram?
Sou só um velho clichê aposentado
no fundo de uma gaveta
Um projeto abandonado de mim mesmo
O primeiro verso inacabado
de uma epopéia moderna

Sou os olhos e os ouvidos
das ruínas de um monumento grego
olvidado

um canivete suíço enferrujado
a possível evolução
de uma espécie há muito em extinção
sou só um velho poeta
interditado
resmungando pelas ruas brancas e nuas
de uma cidade imaginária
que previsível e pateticamente
resolvi chamar:
Parnaso

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sem gelo, por favor

É, eu gosto de tomar uma cerveja, um vinho, uma caipirinha – é, um uisquinho de vez em quando. Vocês entenderam - eu gosto de uma birita! Não bebo por moda, nem para aparecer, bebo porque gosto. Bebo socialmente, politicamente, intelectualmente e, dependendo da quantidade, até espiritualmente. Hoje em dia, nem tanto. Já bebi a minha cota. Agora, só de vez em quando, mas ainda sou apaixonado por vinhos. Na verdade, isso tudo é desculpa para apresentar um poema novo que escrevi, que sequer fala de bebida, contudo, tem este título:

Sem gelo, por favor

Minha palavra é palha
Eu sou agulha
Me perco, me embolo na fala
Mistura
De farinha pouca e de feijão ralo
Minha palavra miúda é calo
Na língua
É íngua
Que me acaba
Me mata
Migalha farta
Em mesa vazia...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Esquizofrenia (?!)

Nunca fui muito normal e me orgulho disso. Vocês podem perceber pelo fato de eu me dedicar a escrever poesia e diferente do mundo não assistir à TV. Minha última loucura foi me meter a pintar quadros. Sempre fiz as coisas assim, por minha conta, me aventurando sozinho mesmo. Se não ficar bom, pelo menos não tenho ninguém a quem culpar ou desculpar. Minha arte é minha terapia e olha que até sai mais em conta (acredite). Se nunca ganhei nada com isso, pelo menos também nunca perdi. E isso me basta. Com vocês, deixo minha confissão:

Esquizofrenia

Reencontrei na escuridão da sala
Dois velhos fantasmas renegados
Velhos conhecidos, sim, de fato,
Mas já esquecidos, achava, superados

De modo que sentamos os três
A nos olharmos deveras intrigados
E a nos encararmos de vez em vez
Boquiabertos, totalmente estupefatos

O vento o farfalhar das folhas
a escuridão a sacolejar as cortinas
E nós três enfrentando sem sucesso
O medo sublevado em suas rotinas

As velas a falharem-me todo
O transe a me esquecer da hora
O senso a escapar ligeiro
A tanger o não, o talvez, o embora

Do coração a subir cheio
De angústias e de velhos anseios
O som rouco da voz a gritar-me muda
E a fenecer diante da vontade resoluta

De uma mão cega a quebrar-me os espelhos...

terça-feira, 9 de março de 2010

Abre-alas

Olá, pessoal! Sejam bem-vindos a este blog! Aqui quem vos escreve é Rafael Sampaio, poeta, músico, pintor, quer dizer, pelo menos eu tento. Neste site, espero escrever sobre tudo e sobre nada. Que me perdoem os leitores amantes da objetividade e do pragmatismo, eu passo longe disso. Carioca, mas descendente de baianos, eu quero mais é escrever na rede, porque a situação está difícil para quem escreve poesia. Mas ainda há gente que gosta de poesia neste mundo. Para provar estão aí todos os meus - dois - leitores. Para vocês, eu deixo um poema novinho em folha:

Samba de dar dó (Samba di dá dó)

Ando meio para baixo
Sem palavras
Sem nada

Eu que caminhei sobre as nuvens
Hoje me escondo sob o capacho

Sou Ícaro com a pele tostada
Sou o pássaro louco dos trópicos
De outros ares
Outros sonhos e vôos

Jogo as palavras fora
Meu tempo é perdido
é outro
é ouro
de um tolo

Sou dois sem par
Um deus sem altar
Templo do ócio

Sou eu sem lugar
Sem guia
Sou sem estar
ópio

O meu amor não se compra
Minha mente não se vende
Não me encontro em qualquer esquina
Cobra não se cria:
se mata

minha cor é meu luxo
a minha mentira é doce
como as tardes ao sul do equador

minha língua é minha pátria
é mátria
é solta como as mulatas
e me inventa e me arrasta
jogando os quadris
farta

meu sangue ferve
me afoga
e meu corpo todo samba
arfa
numa nota dó
e eu me equilibro bamba
numa perna só

que tom me pinta seco e áspero?
sim é dó
é dose
de cachaça branca, pura
como as virgens pálidas
do lado de lá

A lei aqui é outra
O tambor come solto
No terreiro
Aqui batuque se come
Com farinha

Ando meio para baixo
Do equador
E não escondo

Sim, meu vôo é baixo
Minha palavra é pouca e curta
Mas meu samba
É um quadro com todas as cores do mundo...


Rafael Sampaio
10/03/2010