Poema para nunca ser lido
No que me transformaram?
Sou só um velho clichê aposentado
no fundo de uma gaveta
Um projeto abandonado de mim mesmo
O primeiro verso inacabado
de uma epopéia moderna
Sou os olhos e os ouvidos
das ruínas de um monumento grego
olvidado
um canivete suíço enferrujado
a possível evolução
de uma espécie há muito em extinção
sou só um velho poeta
interditado
resmungado pelas ruas brancas e nuas
de uma cidade imaginária
que previsível e pateticamente
resolvi chamar:
Parnaso...
terça-feira, 21 de junho de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Minha tristeza
Algumas pessoas lêem meus poemas e me perguntam: "Nossa, está tudo bem?"; "Por que tanta tristeza?". Outros ainda tem a gentileza irritante de dizer, com aquela sacudidela fastidiosa de cabeça: "vai ficar tudo bem...". Gostaria de esclarecer que, apesar de já ter tido, sim, como todo mundo, uma fase down, estou muito bem e feliz, obrigado. Como muito bem disse Pessoa, "O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente. /
E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm.". Para exemplificar, deixo este poema, que escrevi há mais ou menos três anos, e que se chama "Minha tristeza":
A minha tristeza é só
é só minha
é a sominha mesquinha
das pequenas e grandes desilusões
da minha vida
é a agulha e a linha
que costuram
a minha poesia
a minha tristeza é só
é sozinha
é pó
é poesia...
E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm.". Para exemplificar, deixo este poema, que escrevi há mais ou menos três anos, e que se chama "Minha tristeza":
A minha tristeza é só
é só minha
é a sominha mesquinha
das pequenas e grandes desilusões
da minha vida
é a agulha e a linha
que costuram
a minha poesia
a minha tristeza é só
é sozinha
é pó
é poesia...
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Poema para nunca ser lido
No que me transformaram?
Sou só um velho clichê aposentado
no fundo de uma gaveta
Um projeto abandonado de mim mesmo
O primeiro verso inacabado
de uma epopéia moderna
Sou os olhos e os ouvidos
das ruínas de um monumento grego
olvidado
um canivete suíço enferrujado
a possível evolução
de uma espécie há muito em extinção
sou só um velho poeta
interditado
resmungando pelas ruas brancas e nuas
de uma cidade imaginária
que previsível e pateticamente
resolvi chamar:
Parnaso
Sou só um velho clichê aposentado
no fundo de uma gaveta
Um projeto abandonado de mim mesmo
O primeiro verso inacabado
de uma epopéia moderna
Sou os olhos e os ouvidos
das ruínas de um monumento grego
olvidado
um canivete suíço enferrujado
a possível evolução
de uma espécie há muito em extinção
sou só um velho poeta
interditado
resmungando pelas ruas brancas e nuas
de uma cidade imaginária
que previsível e pateticamente
resolvi chamar:
Parnaso
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sábado, 27 de março de 2010
Esquizofrenauto-retrato
Não eu não sou muito normal. Gosto de poesia, de cinema, de pintura, de música, de artes em geral. E mesmo sabendo que já não há espaço para isso neste mundo, eu persisto. E não tenho vergonha disso. Escrevo este blog para meus 1,25 leitores (é, o número está baixando) e parece-me que todos os meus companheiros de loucura seguem assim, isolados, escrevendo seus blogs e debatendo pouco ou nada com outros escritores. Escrever parece levar a um tipo de vida dupla: o ser normal, que trabalha, lê jornal, reclama da vida, tem uma vida social; e o alter ego, o louco, o monstro – aquele que chamamos de poeta. O artista hoje parece sofrer de um tipo de esquizofrenia – daí o título deste blog. A arte serve para respirar fora do sistema como outro e voltar a ele, mais leve que seja. Para que vocês me conheçam melhor, deixo um poema que escrevi há algum tempo. Abraço a todos!
Auto-retrato
Um quê de mineiro
Um quê de baiano
Um pé na África
O outro na cova
Um tiro certeiro
Um desejo praiano
Um jeito faceiro
De dizer “te amo”
O avesso do inverso
Um sujeito mundano
Que diz em verso
O que se diz estranho
O que não quer saber
O que se quis dizer
O que só quer viver
Até que caia o pano...
Auto-retrato
Um quê de mineiro
Um quê de baiano
Um pé na África
O outro na cova
Um tiro certeiro
Um desejo praiano
Um jeito faceiro
De dizer “te amo”
O avesso do inverso
Um sujeito mundano
Que diz em verso
O que se diz estranho
O que não quer saber
O que se quis dizer
O que só quer viver
Até que caia o pano...
quarta-feira, 24 de março de 2010
O grito
O grito (01/09/2009)
Hoje acordei desanimado
Refiz como sempre
Os mesmos passos
Tomei o mesmo café de ontem
Aguado, amuado
Acenei a mesma mão murcha
Para o mesmo vizinho em seu carro
Recusei um cigarro com o mesmo sarcasmo:
— Não obrigado.
— O meu cigarro,
eu mesmo trago
e enfiei as mãos nos bolsos
como se neles procurasse
resposta perdida
ou mesmo algo
mais assim palpável
caminhei apressado
pelas mesmas ruas
sem novidade
e peguei o mesmo ônibus lotado
– por necessidade –
Que sempre me mata pouco a pouco
de cansaço
As ruas, o tempo, a vida
passando...
até chegar ao mesmo trabalho
as mesmas mãos
as mesmas caras
os mesmos sorrisos falsos
o mesmo chefe e a mesma frase:
— Você está atrasado...
Tentei responder
(Hoje eu tenho de responder –
pensei comigo).
Abri a boca
O peito inchado
E nada
Dela não saiu palavra
Só o esboço fraco
De um grito rouco, falho
E um choro
Com um sabor amargo
O mundo fugindo de meus pés
E eu ali parado
Afásico
Apático
As migalhas de um eu resignado
Se desfazendo a esmo,
Ante o assassínio parcelado
de mim mesmo...
Hoje acordei desanimado
Refiz como sempre
Os mesmos passos
Tomei o mesmo café de ontem
Aguado, amuado
Acenei a mesma mão murcha
Para o mesmo vizinho em seu carro
Recusei um cigarro com o mesmo sarcasmo:
— Não obrigado.
— O meu cigarro,
eu mesmo trago
e enfiei as mãos nos bolsos
como se neles procurasse
resposta perdida
ou mesmo algo
mais assim palpável
caminhei apressado
pelas mesmas ruas
sem novidade
e peguei o mesmo ônibus lotado
– por necessidade –
Que sempre me mata pouco a pouco
de cansaço
As ruas, o tempo, a vida
passando...
até chegar ao mesmo trabalho
as mesmas mãos
as mesmas caras
os mesmos sorrisos falsos
o mesmo chefe e a mesma frase:
— Você está atrasado...
Tentei responder
(Hoje eu tenho de responder –
pensei comigo).
Abri a boca
O peito inchado
E nada
Dela não saiu palavra
Só o esboço fraco
De um grito rouco, falho
E um choro
Com um sabor amargo
O mundo fugindo de meus pés
E eu ali parado
Afásico
Apático
As migalhas de um eu resignado
Se desfazendo a esmo,
Ante o assassínio parcelado
de mim mesmo...
quinta-feira, 11 de março de 2010
Sem gelo, por favor
É, eu gosto de tomar uma cerveja, um vinho, uma caipirinha – é, um uisquinho de vez em quando. Vocês entenderam - eu gosto de uma birita! Não bebo por moda, nem para aparecer, bebo porque gosto. Bebo socialmente, politicamente, intelectualmente e, dependendo da quantidade, até espiritualmente. Hoje em dia, nem tanto. Já bebi a minha cota. Agora, só de vez em quando, mas ainda sou apaixonado por vinhos. Na verdade, isso tudo é desculpa para apresentar um poema novo que escrevi, que sequer fala de bebida, contudo, tem este título:
Sem gelo, por favor
Minha palavra é palha
Eu sou agulha
Me perco, me embolo na fala
Mistura
De farinha pouca e de feijão ralo
Minha palavra miúda é calo
Na língua
É íngua
Que me acaba
Me mata
Migalha farta
Em mesa vazia...
Sem gelo, por favor
Minha palavra é palha
Eu sou agulha
Me perco, me embolo na fala
Mistura
De farinha pouca e de feijão ralo
Minha palavra miúda é calo
Na língua
É íngua
Que me acaba
Me mata
Migalha farta
Em mesa vazia...
quarta-feira, 10 de março de 2010
Esquizofrenia (?!)
Nunca fui muito normal e me orgulho disso. Vocês podem perceber pelo fato de eu me dedicar a escrever poesia e diferente do mundo não assistir à TV. Minha última loucura foi me meter a pintar quadros. Sempre fiz as coisas assim, por minha conta, me aventurando sozinho mesmo. Se não ficar bom, pelo menos não tenho ninguém a quem culpar ou desculpar. Minha arte é minha terapia e olha que até sai mais em conta (acredite). Se nunca ganhei nada com isso, pelo menos também nunca perdi. E isso me basta. Com vocês, deixo minha confissão:
Esquizofrenia
Reencontrei na escuridão da sala
Dois velhos fantasmas renegados
Velhos conhecidos, sim, de fato,
Mas já esquecidos, achava, superados
De modo que sentamos os três
A nos olharmos deveras intrigados
E a nos encararmos de vez em vez
Boquiabertos, totalmente estupefatos
O vento o farfalhar das folhas
a escuridão a sacolejar as cortinas
E nós três enfrentando sem sucesso
O medo sublevado em suas rotinas
As velas a falharem-me todo
O transe a me esquecer da hora
O senso a escapar ligeiro
A tanger o não, o talvez, o embora
Do coração a subir cheio
De angústias e de velhos anseios
O som rouco da voz a gritar-me muda
E a fenecer diante da vontade resoluta
De uma mão cega a quebrar-me os espelhos...
Esquizofrenia
Reencontrei na escuridão da sala
Dois velhos fantasmas renegados
Velhos conhecidos, sim, de fato,
Mas já esquecidos, achava, superados
De modo que sentamos os três
A nos olharmos deveras intrigados
E a nos encararmos de vez em vez
Boquiabertos, totalmente estupefatos
O vento o farfalhar das folhas
a escuridão a sacolejar as cortinas
E nós três enfrentando sem sucesso
O medo sublevado em suas rotinas
As velas a falharem-me todo
O transe a me esquecer da hora
O senso a escapar ligeiro
A tanger o não, o talvez, o embora
Do coração a subir cheio
De angústias e de velhos anseios
O som rouco da voz a gritar-me muda
E a fenecer diante da vontade resoluta
De uma mão cega a quebrar-me os espelhos...
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